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Pressão alta e ereção: como manter o desempenho mesmo tomando remédio
Disfunção Erétil (Broxar)5 min de leitura

Pressão alta e ereção: como manter o desempenho mesmo tomando remédio

Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)

Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552

A hipertensão prejudica a ereção — e alguns remédios também. Mas parar o remédio é o pior caminho. Veja o que fazer.

Pressão alta e ereção: como manter o desempenho mesmo tomando remédio

A pressão alta prejudica a ereção por si só, porque danifica os vasos que precisam dilatar para o sangue entrar. E alguns anti-hipertensivos também atrapalham — especialmente certos betabloqueadores e diuréticos. Mas atenção ao que vem agora, porque é a parte que salva vidas: parar o remédio por conta própria é o pior caminho possível. Existe alternativa, e ela se chama conversar com o seu médico.

Por que a hipertensão derruba a ereção

Ereção é fluxo de sangue. Para o pênis encher, as artérias precisam dilatar.

Quem faz essa dilatação é o endotélio, a camada que reveste os vasos por dentro, produzindo óxido nítrico. A pressão alta, ao longo dos anos, agride justamente essa camada.

Resultado: artérias mais rígidas, que dilatam menos. E como as artérias do pênis são bem mais finas que as coronárias, elas dão sinal antes.

É como uma mangueira velha, ressecada por fora e com o interior áspero. A água até passa, mas a pressão nunca é a mesma.

Por isso muita gente entende ao contrário. Não é que a pressão alta atrapalhe o sexo como efeito colateral. É que a ereção fraca é um dos primeiros avisos de que os seus vasos não estão bem.

A parte dos remédios

Aqui preciso ser honesta: alguns anti-hipertensivos atrapalham mais que outros, e a literatura reconhece isso.

Historicamente, os mais associados a queixas sexuais são certos betabloqueadores mais antigos e os diuréticos tiazídicos. Outras classes têm perfil mais favorável nesse aspecto, e existem betabloqueadores mais modernos com menos impacto relatado.

Mas eu não vou listar aqui qual você deveria tomar, e vou explicar por quê. A escolha do anti-hipertensivo depende do seu perfil cardíaco, renal, da sua idade, dos seus outros diagnósticos e do que já funcionou para você. Quem tem esses dados é o seu médico, não um texto na internet.

O que você pode e deve fazer é levar a queixa para a consulta. E aqui está o problema real: a maioria dos homens não leva.

Ele sente que a ereção piorou depois do remédio novo, não fala nada por vergonha, e simplesmente para de tomar. Aí a pressão descontrola, os vasos se danificam ainda mais, e em alguns meses ele tem uma disfunção pior — além do risco de infarto e AVC.

Trocar pressão controlada por ereção é o pior negócio que existe. E é completamente desnecessário, porque existe alternativa.

▶ Assista: Evite a disfunção erétil mesmo com pressão alta

Como conversar com o seu médico

Seja direto. Ele já ouviu isso mil vezes e não vai achar estranho.

Uma forma que funciona: "Doutor, depois que comecei esse remédio a minha ereção piorou bastante. Isso está me afetando muito. Existe alguma alternativa que controle a minha pressão do mesmo jeito e tenha menos esse efeito?"

Três informações que ajudam ele a decidir:

●       Desde quando você toma e quando começou a piora

●       Se a piora foi súbita ou gradual

●       Se você ainda tem ereções ao acordar

Essa última é ouro para o raciocínio dele. Se as matinais sumiram junto com o início do remédio, a suspeita medicamentosa fica muito mais forte.

O que melhora os dois ao mesmo tempo

Essa é a melhor notícia do texto: quase tudo que melhora a sua pressão melhora a sua ereção. É o mesmo sistema.

Uma meta-análise de ensaios clínicos randomizados avaliou justamente o efeito de mudanças de estilo de vida e do tratamento de fatores de risco cardiovascular sobre a gravidade da disfunção erétil. Os autores concluíram que essas intervenções estão associadas a melhora da função sexual.

Na prática:

●       Perder peso — reduz pressão e melhora ereção

●       Reduzir sal — reduz pressão

●       Atividade física regular — melhora endotélio, que é o mecanismo direto da ereção

●       Parar de fumar — provavelmente o item mais decisivo de todos

●       Reduzir álcool

●       Dormir melhor — e tratar apneia, comum em hipertensos

Não é conselho genérico de saúde. Cada item dessa lista mexe diretamente na mecânica que faz o seu pênis encher.

E os remédios para ereção?

Podem ser usados por hipertensos, com prescrição, e isso é comum na prática clínica. Duas ressalvas obrigatórias:

Quem usa nitrato não pode tomar, de jeito nenhum. É contraindicação absoluta e a queda de pressão pode ser grave.

E quem usa alfabloqueador precisa de avaliação específica, porque a combinação também pode derrubar a pressão.

Por isso o caminho passa pelo médico. Não pelo comprimido do amigo, que provavelmente tem outro quadro clínico e outros remédios.

▶ Assista: Disfunção Erétil pode ser sinal de problema cardiovascular

Se você quer entender o que dá para melhorar no seu caso — inclusive a parte psicológica, que costuma somar —, eu explico numa aula ao vivo e respondo suas dúvidas na hora.

Participar da aula ao vivo

E me conta nos comentários: você já levou essa queixa ao seu médico? Eu leio e respondo todos.

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Perguntas frequentes

Posso parar o remédio de pressão se ele está atrapalhando?+

Não. Interromper por conta própria expõe você a infarto e AVC, e ainda piora a ereção no médio prazo por dano vascular. Converse com o médico sobre alternativas.

Todo remédio de pressão atrapalha a ereção?+

Não. As classes têm perfis diferentes, e algumas são associadas a menos queixas sexuais. A escolha certa para você é decisão médica.

Se eu controlar a pressão, a ereção volta?+

Em muitos casos melhora significativamente, principalmente quando o dano vascular ainda não é avançado. Quanto antes você controlar, melhor o prognóstico.

Hipertenso pode tomar tadalafila?+

Frequentemente pode, com prescrição. A contraindicação absoluta é o uso de nitratos, e o uso de alfabloqueadores exige avaliação.

Exercício não aumenta a pressão na hora do sexo?+

A atividade sexual é considerada esforço moderado para a maioria das pessoas. Se você tem doença cardíaca, essa liberação deve vir do seu cardiologista.

Referências

  1. 1.1. Gupta BP, Murad MH, Clifton MM, Prokop L, Nehra A, Kopecky SL. The effect of lifestyle modification and cardiovascular risk factor reduction on erectile dysfunction: a systematic review and meta-analysis. Arch Intern Med. 2011;171(20):1797-1803. PubMed
  2. 2.2. Vlachopoulos CV, et al. Prediction of cardiovascular events and all-cause mortality with erectile dysfunction. Circ Cardiovasc Qual Outcomes. 2013;6(1):99-109. PubMed