Pressão alta e ereção: como manter o desempenho mesmo tomando remédio
Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)
Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552
A hipertensão prejudica a ereção — e alguns remédios também. Mas parar o remédio é o pior caminho. Veja o que fazer.
Pressão alta e ereção: como manter o desempenho mesmo tomando remédio
A pressão alta prejudica a ereção por si só, porque danifica os vasos que precisam dilatar para o sangue entrar. E alguns anti-hipertensivos também atrapalham — especialmente certos betabloqueadores e diuréticos. Mas atenção ao que vem agora, porque é a parte que salva vidas: parar o remédio por conta própria é o pior caminho possível. Existe alternativa, e ela se chama conversar com o seu médico.
Por que a hipertensão derruba a ereção
Ereção é fluxo de sangue. Para o pênis encher, as artérias precisam dilatar.
Quem faz essa dilatação é o endotélio, a camada que reveste os vasos por dentro, produzindo óxido nítrico. A pressão alta, ao longo dos anos, agride justamente essa camada.
Resultado: artérias mais rígidas, que dilatam menos. E como as artérias do pênis são bem mais finas que as coronárias, elas dão sinal antes.
É como uma mangueira velha, ressecada por fora e com o interior áspero. A água até passa, mas a pressão nunca é a mesma.
Por isso muita gente entende ao contrário. Não é que a pressão alta atrapalhe o sexo como efeito colateral. É que a ereção fraca é um dos primeiros avisos de que os seus vasos não estão bem.
A parte dos remédios
Aqui preciso ser honesta: alguns anti-hipertensivos atrapalham mais que outros, e a literatura reconhece isso.
Historicamente, os mais associados a queixas sexuais são certos betabloqueadores mais antigos e os diuréticos tiazídicos. Outras classes têm perfil mais favorável nesse aspecto, e existem betabloqueadores mais modernos com menos impacto relatado.
Mas eu não vou listar aqui qual você deveria tomar, e vou explicar por quê. A escolha do anti-hipertensivo depende do seu perfil cardíaco, renal, da sua idade, dos seus outros diagnósticos e do que já funcionou para você. Quem tem esses dados é o seu médico, não um texto na internet.
O que você pode e deve fazer é levar a queixa para a consulta. E aqui está o problema real: a maioria dos homens não leva.
Ele sente que a ereção piorou depois do remédio novo, não fala nada por vergonha, e simplesmente para de tomar. Aí a pressão descontrola, os vasos se danificam ainda mais, e em alguns meses ele tem uma disfunção pior — além do risco de infarto e AVC.
Trocar pressão controlada por ereção é o pior negócio que existe. E é completamente desnecessário, porque existe alternativa.
▶ Assista: Evite a disfunção erétil mesmo com pressão alta
Como conversar com o seu médico
Seja direto. Ele já ouviu isso mil vezes e não vai achar estranho.
Uma forma que funciona: "Doutor, depois que comecei esse remédio a minha ereção piorou bastante. Isso está me afetando muito. Existe alguma alternativa que controle a minha pressão do mesmo jeito e tenha menos esse efeito?"
Três informações que ajudam ele a decidir:
● Desde quando você toma e quando começou a piora
● Se a piora foi súbita ou gradual
● Se você ainda tem ereções ao acordar
Essa última é ouro para o raciocínio dele. Se as matinais sumiram junto com o início do remédio, a suspeita medicamentosa fica muito mais forte.
O que melhora os dois ao mesmo tempo
Essa é a melhor notícia do texto: quase tudo que melhora a sua pressão melhora a sua ereção. É o mesmo sistema.
Uma meta-análise de ensaios clínicos randomizados avaliou justamente o efeito de mudanças de estilo de vida e do tratamento de fatores de risco cardiovascular sobre a gravidade da disfunção erétil. Os autores concluíram que essas intervenções estão associadas a melhora da função sexual.
Na prática:
● Perder peso — reduz pressão e melhora ereção
● Reduzir sal — reduz pressão
● Atividade física regular — melhora endotélio, que é o mecanismo direto da ereção
● Parar de fumar — provavelmente o item mais decisivo de todos
● Reduzir álcool
● Dormir melhor — e tratar apneia, comum em hipertensos
Não é conselho genérico de saúde. Cada item dessa lista mexe diretamente na mecânica que faz o seu pênis encher.
E os remédios para ereção?
Podem ser usados por hipertensos, com prescrição, e isso é comum na prática clínica. Duas ressalvas obrigatórias:
Quem usa nitrato não pode tomar, de jeito nenhum. É contraindicação absoluta e a queda de pressão pode ser grave.
E quem usa alfabloqueador precisa de avaliação específica, porque a combinação também pode derrubar a pressão.
Por isso o caminho passa pelo médico. Não pelo comprimido do amigo, que provavelmente tem outro quadro clínico e outros remédios.
▶ Assista: Disfunção Erétil pode ser sinal de problema cardiovascular
Se você quer entender o que dá para melhorar no seu caso — inclusive a parte psicológica, que costuma somar —, eu explico numa aula ao vivo e respondo suas dúvidas na hora.
E me conta nos comentários: você já levou essa queixa ao seu médico? Eu leio e respondo todos.
Perguntas frequentes
Posso parar o remédio de pressão se ele está atrapalhando?+
Não. Interromper por conta própria expõe você a infarto e AVC, e ainda piora a ereção no médio prazo por dano vascular. Converse com o médico sobre alternativas.
Todo remédio de pressão atrapalha a ereção?+
Não. As classes têm perfis diferentes, e algumas são associadas a menos queixas sexuais. A escolha certa para você é decisão médica.
Se eu controlar a pressão, a ereção volta?+
Em muitos casos melhora significativamente, principalmente quando o dano vascular ainda não é avançado. Quanto antes você controlar, melhor o prognóstico.
Hipertenso pode tomar tadalafila?+
Frequentemente pode, com prescrição. A contraindicação absoluta é o uso de nitratos, e o uso de alfabloqueadores exige avaliação.
Exercício não aumenta a pressão na hora do sexo?+
A atividade sexual é considerada esforço moderado para a maioria das pessoas. Se você tem doença cardíaca, essa liberação deve vir do seu cardiologista.
Referências
- 1.1. Gupta BP, Murad MH, Clifton MM, Prokop L, Nehra A, Kopecky SL. The effect of lifestyle modification and cardiovascular risk factor reduction on erectile dysfunction: a systematic review and meta-analysis. Arch Intern Med. 2011;171(20):1797-1803. PubMed
- 2.2. Vlachopoulos CV, et al. Prediction of cardiovascular events and all-cause mortality with erectile dysfunction. Circ Cardiovasc Qual Outcomes. 2013;6(1):99-109. PubMed
