Ejaculação precoce: o que é, como diagnosticar e como tratar
Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)
Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552
Nem toda pressa é ejaculação precoce. Existe critério clínico definido. Veja se o seu caso se encaixa e quais são os tratamentos reais.
Ejaculação precoce: o que é, como diagnosticar e como tratar
Existe critério clínico definido, e ele é mais estrito do que a maioria dos homens imagina. A Sociedade Internacional de Medicina Sexual define ejaculação precoce como ejaculação que ocorre sempre ou quase sempre em cerca de 1 minuto de penetração desde a primeira experiência sexual — ou, na forma adquirida, uma redução importante e incômoda do tempo, geralmente para cerca de 3 minutos ou menos. E precisa ter mais dois elementos: incapacidade de retardar e sofrimento pessoal.
Os três critérios que precisam estar juntos
A definição unificada da ISSM, publicada em 2014, exige três condições simultâneas:
● Tempo: cerca de 1 minuto ou menos desde sempre (forma vitalícia), ou queda importante para cerca de 3 minutos ou menos (forma adquirida)
● Incapacidade de retardar a ejaculação em todas ou quase todas as penetrações
● Consequências negativas pessoais: sofrimento, incômodo, frustração ou evitação da intimidade
Repare no terceiro item, porque ele muda tudo. Se você dura três minutos e vocês dois estão satisfeitos, você não tem diagnóstico. Se você dura oito minutos e sofre com isso todo dia, o sofrimento é real e merece atenção — mesmo que o número não feche o critério.
O diagnóstico não é sobre cronômetro. É sobre controle e sobre o que isso está fazendo com a sua vida.
Vitalícia ou adquirida: por que importa
Vitalícia é aquela que existe desde a primeira vez. O homem nunca teve controle, em nenhuma relação, com nenhuma parceira.
Adquirida é quando havia controle e ele se perdeu. Isso é informação clínica valiosa, porque algo mudou — e vale descobrir o quê.
Nos casos adquiridos, é obrigatório investigar:
● Disfunção erétil surgindo em paralelo, que é a causa mais comum
● Problemas de tireoide
● Prostatite ou infecção urinária
● Estresse agudo, ansiedade, crise no relacionamento
● Início ou suspensão de medicamentos
Por isso a primeira parada é o urologista. Ejaculação precoce adquirida tem causas tratáveis que nenhuma técnica resolve sozinha.
▶ Assista: Como fazer o diagnóstico de ejaculação precoce?
Você provavelmente não tem o que pensa que tem
Essa parte costuma aliviar muito homem que chega ao consultório.
Segundo o material de referência da própria ISSM, a prevalência da forma vitalícia dificilmente ultrapassa 4% da população masculina.
Quatro por cento. Mas se você perguntar numa roda de amigos quantos acham que gozam rápido demais, vai ouvir muito mais que isso.
A explicação é que a maioria dos homens que se queixa tem o que a literatura chama de ejaculação precoce variável ou subjetiva. Ou seja: às vezes acontece, ou o tempo está dentro da média e a percepção é que está errado — quase sempre por comparação com pornografia.
Isso não significa que a sua angústia seja invenção. Significa que o que você tem provavelmente responde melhor a treino do que a remédio.
O que causa
Vou ser honesta com você: a causa não é totalmente conhecida.
O próprio material de referência da ISSM afirma que, até o momento, nenhum fator biológico foi demonstrado como causador na maioria dos homens.
O que se discute como fatores envolvidos:
● Sensibilidade dos receptores de serotonina, que participa do reflexo ejaculatório
● Componente genético em alguns casos vitalícios
● Ansiedade de desempenho, que é o que eu mais vejo
● Condicionamento: décadas de masturbação com pressa treinando o corpo a chegar rápido
● Disfunção erétil associada, em que o homem apressa por medo de perder a ereção
Na minha experiência de 42 anos, os dois últimos aparecem na maioria esmagadora dos casos que atendo. E são justamente os dois que respondem a treino.
Os tratamentos que existem
1. Terapia comportamental e treino.
Aprender a reconhecer onde você está na curva de excitação e agir antes do ponto de não retorno. É o que chamamos aqui de surfar o Gráfico de Sensações. Não tem efeito colateral e é o único que você leva para sempre.
2. Medicamentos.
Existem opções prescritas por urologista, incluindo medicamentos de uso sob demanda. Funcionam enquanto são usados. Quem indica, ajusta e acompanha é o médico.
3. Anestésicos tópicos.
Géis e sprays. Eu desaconselho como solução permanente, porque anestesiar a sensação impede exatamente aquilo que você precisa aprender a ler — e o efeito passa para a parceira.
4. Tratamento da causa, quando é adquirida.
Se tem disfunção erétil junto, tratar a ereção às vezes resolve a ejaculação. Se tem prostatite ou tireoide alterada, tratar aquilo é o caminho.
5. Trabalho da ansiedade.
Porque enquanto o sexo for uma prova a ser passada, qualquer técnica rende menos do que poderia.
▶ Assista: A sua ejaculação precoce é natural
Se você quer entender se o seu caso se encaixa e qual caminho faz sentido, me manda uma mensagem. Eu já ouvi essa história cinco mil vezes e ela quase sempre tem saída.
E me conta nos comentários: o seu caso é desde sempre ou apareceu depois? Eu leio e respondo todos.
Perguntas frequentes
Duro 3 minutos. Tenho ejaculação precoce?+
Provavelmente não, pelo critério clínico da forma vitalícia. Mas se isso está te causando sofrimento real, o sofrimento merece atenção independentemente do número.
Ejaculação precoce tem cura?+
Muitos homens alcançam controle satisfatório com treino, principalmente quando o componente é de condicionamento e ansiedade. Casos vitalícios podem exigir abordagem combinada.
Preciso de exames?+
Nos casos adquiridos, sim — para investigar tireoide, próstata e disfunção erétil associada. Nos vitalícios, o urologista avalia o que faz sentido no seu caso.
Minha parceira reclama, mas eu acho normal.+
Vale conversar sem transformar em cobrança. E vale lembrar que a satisfação dela depende muito mais de preliminares que de duração da penetração.
Posso tratar sem remédio?+
Pode, e para boa parte dos casos o treino comportamental é a primeira linha razoável. A decisão sobre medicação é sempre do médico.
Referências
- 1.. Serefoglu EC, McMahon CG, Waldinger MD, et al. An evidence-based unified definition of lifelong and acquired premature ejaculation: report of the second ISSM Ad Hoc Committee. Sex Med. 2014;2(2):41-59. PubMed Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. O diagnóstico e o tratamento da ejaculação precoce devem ser conduzidos por um urologista.
