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Depressão, antidepressivo e sexo: o que fazer quando o remédio atrapalha
Ansiedade e a Mente na Cama7 min de leitura

Depressão, antidepressivo e sexo: o que fazer quando o remédio atrapalha

Escrito por: Waldemar Krueger (Cofundador da Lucy)

Revisado por: Lucimar Ghelfi — CRP 12/02552

Antidepressivos podem afetar libido, ereção e orgasmo — mas parar por conta própria é perigoso. Veja como conduzir essa conversa.


Depressão, antidepressivo e sexo: o que fazer quando o remédio atrapalha

Esse é um assunto que precisa de honestidade dos dois lados. Sim, antidepressivos podem afetar libido, ereção e orgasmo — e as taxas descritas na literatura são altas. E não, isso não significa que você deva parar de tomar. Depressão não tratada destrói a vida sexual e muito mais que isso. O caminho não é abandonar o tratamento: é levar a queixa ao psiquiatra, porque existem alternativas.

O que a literatura mostra

Um estudo prospectivo multicêntrico com 1.022 pacientes ambulatoriais, conduzido por um grupo de trabalho espanhol, avaliou a incidência de disfunção sexual associada a antidepressivos em pessoas com função sexual previamente normal. A conclusão: a incidência com inibidores seletivos de recaptação de serotonina e venlafaxina é alta, variando de 58% a 73% — bem maior que a observada com antidepressivos de outros mecanismos.

Uma revisão mais recente descreve o mesmo padrão por classe: cerca de 70% de disfunção sexual emergente do tratamento com essa classe, 40 a 45% com outras duas, e taxas semelhantes a placebo, abaixo de 10%, com medicamentos que não atuam na recaptação de serotonina.

O que isso quer dizer na prática: o efeito é frequente, é conhecido, e varia muito conforme o medicamento.

Como isso aparece

●       Queda de libido — o mais comum

●       Dificuldade de ereção

●       Ejaculação retardada ou dificuldade de chegar ao orgasmo

●       Redução da intensidade do orgasmo

Repare que a ejaculação retardada aparece nessa lista. É uma das causas mais frequentes desse quadro — e muitos homens não fazem a conexão com o remédio que começaram meses antes.

Por que não parar por conta própria

Aqui eu preciso ser bem direta, e falo como psicóloga que acompanha as consequências disso.

Interromper antidepressivo por conta própria pode causar sintomas de descontinuação e, principalmente, recaída do quadro que estava sendo tratado.

E depressão não tratada faz com a sua vida sexual tudo aquilo que você está tentando evitar: derruba libido, tira a energia, apaga o prazer nas coisas, atrapalha o sono e afasta você da sua parceira.

Trocar depressão controlada por ereção é um péssimo negócio — e desnecessário, porque existem alternativas.

Quem avalia, ajusta e troca é o psiquiatra que prescreveu. Não é o urologista, não é um blog, e não é o amigo que teve outra experiência.

▶ Assista: Não tome antidepressivos para controlar sua ejaculação por conta própria

Como conversar com o seu psiquiatra

O maior problema não é o efeito colateral. É o homem não contar.

Ele sente a queda, acha que é vergonhoso, não menciona na consulta, e um dia simplesmente para de tomar. O médico fica sem saber e sem chance de ajustar nada.

Uma forma que funciona: "Doutor, o tratamento está me ajudando, mas eu perdi bastante a libido e estou com dificuldade de chegar ao orgasmo. Isso está me incomodando muito. Existe alguma alternativa que mantenha o efeito e tenha menos esse impacto?"

Informações úteis para levar:

●       Desde quando você toma e quando começou a mudança

●       Qual aspecto está mais afetado: desejo, ereção ou orgasmo

●       Se você ainda tem ereções ao acordar

●       Se houve mudança de dose recentemente

O que mais pode estar acontecendo

Vale considerar que nem tudo é o remédio.

A própria depressão reduz libido e desempenho — às vezes o que o homem atribui ao medicamento é o quadro ainda não totalmente tratado.

E existe o caminho inverso, que eu vejo bastante: um homem que tinha um problema sexual, ficou deprimido por causa dele, e agora tem os dois. Nesses casos, tratar o quadro emocional frequentemente melhora o desempenho, não piora.

Por isso a avaliação precisa olhar o conjunto — e por isso a pior conduta possível é decidir sozinho.

Se você está nessa situação e não sabe como organizar essa conversa, eu explico numa aula ao vivo como identificar o que é o quê e por onde começar.

Participar da aula ao vivo

E me conta nos comentários: você já falou disso com o seu médico? Eu leio e respondo todos.


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Perguntas frequentes

Todo antidepressivo atrapalha o sexo?+

Não. As taxas variam muito conforme o mecanismo do medicamento, e algumas classes têm taxas próximas de placebo. Por isso a conversa com o psiquiatra faz diferença real.

Posso parar por uns dias antes de transar?+

Não. Isso pode causar sintomas de descontinuação e desestabilizar o tratamento. Qualquer ajuste é decisão médica.

O efeito passa com o tempo?+

Em alguns casos há adaptação parcial, mas frequentemente persiste. Não conte com isso — leve ao médico.

Posso somar um remédio para ereção?+

Isso pode ser uma das estratégias, mas precisa ser avaliada pelo médico, considerando todos os medicamentos que você usa.

A depressão em si atrapalha o sexo?+

Muito. Queda de libido é um dos sintomas centrais. Às vezes o que se atribui ao remédio é o quadro ainda não controlado.

Referências

  1. 1.Montejo AL, Llorca G, Izquierdo JA, Rico-Villademoros F. Incidence of sexual dysfunction associated with antidepressant agents: a prospective multicenter study of 1022 outpatients. J Clin Psychiatry. 2001;62(Suppl 3):10-21. PubMed
  2. 2.Sexual dysfunction with major depressive disorder and antidepressant treatments: impact, assessment, and management. 2022. PubMed Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Nunca interrompa, reduza ou troque antidepressivos sem orientação do médico que prescreveu.